Lucas Kasosi (Maasai, Estagiário De CS)
Elizabeth Durazno (Kichwa Cañari), uma artesã de Río Blanco, paróquia de Molleturo, no Equador, é uma força ativa no Coletivo Warmi Muya. Por meio de sua arte, Durazno desafia as forças que ameaçam a cultura, a terra e o futuro de sua comunidade. Como criadora e defensora, ela usa a tecelagem como meio de expressão e resistência, combinando técnicas tradicionais com um compromisso com a sustentabilidade e o fortalecimento cultural.
O trabalho de Durazno não se resume a criar joias ou tecidos; trata-se de tecer resiliência. Cada peça, desde bolsas tecidas a colares cerimoniais, carrega um profundo significado espiritual e reflete sua cultura profundamente ligada à terra. Suas criações são mais do que objetos bonitos: são declarações de sobrevivência cultural diante do colonialismo, da degradação ambiental e da mercantilização da identidade indígena.
O processo artístico de Durazno começa com uma profunda conexão com a terra e representa uma mistura de compreensão tradicional e vida moderna, onde a generosidade da natureza está conectada às necessidades da vida contemporânea. “Nosso processo consiste em coletar sementes ou fibras, que chamamos de fios dos territórios”, explica ela. “Nós misturamos os do território da cidade, porque há coisas que não podem ser encontradas nos campos.”

Elizabeth Durazno.
Usando materiais sagrados como a juta, a palha andina e a papaya, as criações de Durazno refletem a paisagem andina. “Damos um nome a cada produto. Pensamos na natureza e fazemos com que o produto se identifique com uma planta”, diz ela. Cada item é uma encarnação viva da conexão de seu povo com a terra.
Para Durazno, a arte não é apenas criação, é uma forma de resistência. Sua comunidade enfrenta ameaças devido à expansão da mineração na província de Azuay, no Equador, que devastou ecossistemas e contaminou fontes de água. “Minha comunidade se localiza ao sul da cidade de Cuenca, na província de Azuay, no Equador. Fica diretamente no Páramo, que abriga ecossistemas pantanosos e biodiversidade”, explica ela. “No entanto, já sentimos impactos, porque o projeto de mineração foi instalado lá. Nossa comunidade foi destruída, assim como os ecossistemas, com perda significativa de fontes de água”.
Em resposta, Durazno e o Coletivo Warmi Muyu criaram seu projeto de Defesa e Conservação, que envolve não apenas arte, mas também trabalho na terra, reflorestamento e práticas de vida sustentáveis. “Não queríamos apenas dizer não ao extrativismo da mineração. Queríamos apresentar uma alternativa”, diz ela. Esse esforço visa reconectar-se com sua terra, proteger seus recursos e criar uma visão para o futuro enraizada no respeito ao meio ambiente.

O Coletivo Warmi Muyu, fundado em 2018, um projeto da Sinchi Warmi, reflete o compromisso de Durazno com o empoderamento da comunidade. Apesar dos desafios iniciais, o coletivo floresceu, alimentando pela vontade coletiva das mulheres que plantaram as sementes do seu futuro. Warmi Muyu é muyu (semente), significando o compromisso do coletivo com a promoção da cultura. As mulheres são a base do coletivo, garantindo que o trabalho reflita não apenas criatividade, mas também resiliência. Seu catálogo, “Mujer Páramo”, não é apenas uma coleção de arte – é um manifesto afirmando que as mulheres são as guardiãs da terra e do futuro.
A participação de Durazno no Bazar da Cultural Survival dá visibilidade ao Coletivo Warmi Muyu. Mas, para ela, o Bazar é mais do que apenas uma oportunidade de reconhecimento. É também um lugar para se conectar com artesãos de mais de 50 países. “Não é apenas um mercado; é um espaço para compartilhar estratégias, aumentar a conscientização e falar diretamente com criadores e defensores da comunidade”, diz ela.
Através das sementes que ela perfura e das fibras que ela torce, Durazno está tecendo muito mais do que brincos e bolsas. Ela está tecendo resistência, memória e um futuro onde as mulheres indígenas e suas comunidades são empoderadas pela cultura, e não apagadas pelo extrativismo. “Quando criamos, não estamos apenas fazendo um produto”, diz ela. “Estamos contando a história de nossos ancestrais, nossa terra e nosso futuro. Estamos tecendo uma tapecaria de resistência, amor e esperança.” Durazno e o Coletivo Warmi Muyu representam uma visão em que cultura e justiça ambiental andam de mãos dadas.